A atualidade da tática leninista na luta política

A derrocada da II Internacional diante da Primeira Guerra Mundial e a Revolução Socialista Russa fizeram com que revolucionários rompessem com os partidos sociais-democratas e organizassem os Partidos Comunistas, seções nacionais da III Internacional, constituída sob a liderança dos revolucionários russos. Lenin identificou, como os principais inimigos do bolchevismo em sua trajetória vitoriosa, o oportunismo de direita e o revolucionarismo pequeno-burguês. Em relação ao último, afirmava que “passa-se facilmente para uma posição ultrarrevolucionária, mas é incapaz de manifestar serenidade, espírito de organização, disciplina e firmeza. O pequeno-burguês ‘enfurecido’ pelos horrores do capitalismo é, como o anarquismo, um fenômeno social comum a todos os países capitalistas”. Alguns partidos comunistas, procurando diferenciar-se dos partidos reformistas da socialdemocracia, enveredaram erradamente por uma linha política sectária, ultraesquerdista, na contramão da política bolchevique. Lenin, preocupado com essa política nefasta aos interesses do movimento operário e da revolução socialista, escreveu “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, onde polemiza e explica as táticas bolcheviques para os comunistas alemães, italianos e ingleses.

Os esquerdistas defendiam que para afastar o partido da influência burguesa, deveria se manter a “pureza política e ideológica”, evitando alianças com grupos reformistas. Lenin dizia que “preparar uma receita ou uma regra geral (‘nenhum compromisso’) para todos os casos é um absurdo. É preciso ter a cabeça no lugar para saber orientar-se em cada caso particular”. Lenin citou como exemplo o Tratado de Paz de Brest-Litóvski (1918) com os alemães. A sobrevivência do primeiro Estado proletário dependia da saída da guerra. O tratado representou perdas territoriais para os soviéticos, mas foi necessário para que o regime soviético conseguisse se fortalecer e pudesse realizar suas enormes tarefas. Lenin dizia: “rejeitar os compromissos ‘por princípios’, negar a legitimidade de qualquer compromisso, em geral, constitui uma infantilidade que é inclusive difícil de se levar a sério. O político que queira ser útil ao proletariado revolucionário deve saber distinguir os casos concretos de compromissos que são mesmo inadmissíveis, que são uma expressão de oportunismo e de traição, e dirigir contra esses compromissos concretos toda a força da crítica”. Para qualquer compromisso deve-se levar em conta a conjuntura nacional e internacional, a correlação das forças sociais, ou seja, a análise concreta de uma situação concreta, garantida sempre a independência política da classe trabalhadora.

A não participação dos comunistas em eleições parlamentares defendida pelos  esquerdistas foi igualmente atacada por Lenin. Citando o exemplo do boicote às eleições em 1905, ele combatia a transformação daquela experiência conjuntural em estratégia política permanente: “Naquela ocasião, o boicote foi justo, não porque seja certo abster-se, de modo geral, de participar nos parlamentos reacionários, mas porque foi levada em conta, acertadamente, a situação objetiva, que levava à rápida transformação das greves de massas em greve política e, sucessivamente, em greve revolucionária e em insurreição.(…) Mas transportar cegamente, por simples imitação, sem espírito crítico, essa experiência a outras condições, a outra situação, é o maior dos erros”. E afirmava:“…a participação num parlamento democrático-burguês, longe de prejudicar o proletariado revolucionário, permite-lhe demonstrar com maior facilidade às massas atrasadas a razão por que semelhantes parlamentos devem ser dissolvidos, facilita o êxito de sua dissolução, facilita a ‘supressão política’ do parlamentarismo burguês”.

Os ensinamentos das táticas bolcheviques são um legado de inestimável importância para os partidos que mantêm a perspectiva da revolução socialista. Segundo Lenin, somente através de um trabalho prolongado de agitação e propaganda e da dura experiência concreta das lutas, será possível construir um movimento verdadeiramente de massas e verdadeiramente revolucionário. A teoria, como diziam Marx e Engels, não é um dogma, mas sim um guia para a ação.

Edição nº 14 de O PODER POPULAR, um jornal a serviço das lutas populares e da revolução socialista, editado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Fonte: https://pcb.org.br/portal2/12126

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