O fascismo é hoje uma ameaça real?

Do ponto de vista histórico, o fascismo surge depois da Primeira Guerra Mundial em meio a uma aguda crise econômica e política que atingiu vários países capitalistas europeus. Excombatentes desempregados e frustrados com a derrota (Alemanha) e com os poucos resultados obtidos na guerra (Itália), organizaram-se em milícias armadas ultranacionalistas, os corpos francos alemães e os fascio di combatimento italianos, precursores dos partidos fascistas. Foram financiados pela burguesia para atacar as manifestações, greves e organizações operárias que lutavam contra as consequências da
crise. Na Alemanha convulsionada dos anos 1918-19, os corpos francos assassinaram
as principais lideranças comunistas. As ocupações de fábricas no cinturão industrial do norte da Itália assustaram a burguesia, que passou a contar com os fascistas para atacar o movimento operário.

Diante da crise econômica e depois da Revolução Socialista Russa de 1917, a burguesia, preocupada com a real possibilidade de revoluções socialistas, deu apoio financeiro aos partidos fascistas para servirem de guarda paramilitar antioperária. O movimento fascista atraiu inicialmente os pequenoburgueses, os quais, empobrecidos pela crise econômica e pressionados pelo avanço do movimento operário, temerosos de perderem seu status quo e de se igualarem à classe operária, engrossaram as fileiras fascistas contra os trabalhadores.

 Resultado das crises econômicas do pós-guerra e de 1929, e pelo receio da revolução socialista, os fascistas italianos e alemães chegaram ao poder, não mediante eleições, mas dentro dos marcos constitucionais, convidados que foram a governar pelas burguesias monopolistas para recompor a taxa de lucro com a superexploração da classe operária. No poder, os fascistas fizeram uma limpeza em seus quadros, eliminando os mais radicais que defendiam uma “segunda revolução”, com propostas antimonopolistas. Assim, o fascismo esteve totalmente a serviço da burguesia monopolista imperialista, sedenta de  expansão econômica e territorial. A Segunda Guerra Mundial foi o resultado dessa sangrenta política imperialista.

 Além de se constituir como tropa de choque da burguesia, o fascismo é contra as liberdades democráticas, eleições, pluripartidarismo e parlamento, na medida em que estes possam restringir a liberdade de exploração capitalista das massas através de leis e direitos sociais conquistados. O Estado é ditatorial, visando a conter o conflito social, visto como doença no “corpo sadio” da nação e um risco à coesão social. O corporativismo fascista tem a presunção de acabar com a luta de classes, pregando a conciliação pelo bem da nação e suprimindo os interesses das partes (partidos e sindicatos) pelos interesses do todo, ou seja, da nação. O nacionalismo exacerbado é outra forte característica do fascismo.

Na conjuntura atual, a crise capitalista sistêmica gera uma onda conservadora
nos países capitalistas centrais e o fortalecimento de partidos de extremadireita
na Europa (França, Áustria, Itália, Grécia). Também identificamos alguns atos pontuais de cunho fascista em manifestações recentes no Brasil, que não devem ser desprezados, mesmo que um processo aberto de fascistização ainda não ocorra. A classe trabalhadora e os setores democráticos devem denunciar e lutar contra essas manifestações fascistas, mas devemos ter em mente que, enquanto existir o capitalismo, o fascismo sempre será a última cartada da burguesia contra as lutas sociais. O fascismo é a barbárie capitalista e é inimigo mortal da classe operária. A luta contra o fascismo não se separa da luta contra o
capitalismo.

Este texto está na edição nº 13 de O PODER POPULAR, um jornal a serviço das lutas populares e da revolução socialista, editado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Acesse: https://pcb.org.br/portal2/11803?utm_source=PCB

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s