Moradia: o lucro em detrimento da vida

Mais de 20 milhões de brasileiros não têm onde morar. Vivem nas ruas, debaixo dos viadutos, se escondendo da chuva e do frio nas marquises, em qualquer lugar que lhes forneça abrigo.

Segundo dados oficiais de 2013, o déficit habitacional brasileiro é de 5,846 milhões de domicílios. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) contesta essa informação, com base em estudo da Fundação João Pinheiro, que estima em 6,940 milhões a falta de moradias.

Se, por um lado, o programa federal “Minha Casa, Minha Vida” foi constituído com a promessa de reduzir o déficit habitacional das famílias de baixa renda, particularmente daquelas com rendimento de 1 a 3 salários mínimos, ainda está longe de beneficiar a todos os necessitados.

Na verdade, quem mais ganha com esse programa são as empreiteiras, tanto pelas construções das habitações, quanto pela venda dos terrenos, muitos localizados em áreas de difícil acesso, longe do trabalho, da escola, dos hospitais, daquilo tudo que os moradores mais precisam. Os mais acessíveis são destinados à classe média, com preços mais elevados. Até mesmo nas políticas sociais os governos do PT adotaram as famigeradas Parcerias Público-Privadas (PPP), garantindo o lucro do capital.

Doenças, desperdício e violência

Mas não somente os sem teto passam por dificuldades. Cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada, enquanto metade da população, mais de 100 milhões de pessoas, não possui coleta de esgoto, boa parte largado a céu aberto. Para piorar, daquilo que é coletado, apenas 40% é tratado. A população de baixa renda, os trabalhadores e suas famílias, são obrigados a viver em meio a poluição, sujeira, mau cheiro, insetos e a propagação de doenças.

Estudos apontam a falta de saneamento como responsável por um sem número de doenças que afligem a população de baixa renda. Dezenas de bilhões de reais poderiam ser economizados, e consequentemente investidos em outras demandas sociais, particularmente a saúde, caso os governos investissem em água tratada e coleta de esgoto.

O investimento necessário para acabar com esse problema é da ordem de meio trilhão de reais, metade do que o país paga de juros e amortizações por ano para a suposta dívida pública, ou seja, para os banqueiros e rentistas.

Outro sério problema é o da mobilidade urbana. Devido à especulação imobiliária, cada vez mais a população mais pobre é empurrada para a periferia. Os transportes, cada vez mais caros quando deveriam ser gratuitos, são de péssima qualidade, sempre lotados, atrasados, em quantidade muito inferior ao necessário, o que implica em longos períodos de espera e de tempo entre o local de moradia e o trabalho. Um período que deveria ser computado enquanto hora trabalhada, tanto na ida quanto na volta, ideia que os patrões não admitem sob hipótese alguma.

A falta de áreas de lazer e de esportes é outro grave problema. No lugar de oferecer políticas públicas voltadas para os trabalhadores e a juventude, o Estado apela para a coerção e a violência, por meio da Polícia Militar, criminalizando a pobreza e tentando sufocar legítimas manifestações de revolta promovidas pelas classes subalternas.

Na contramão da política habitacional burguesa, que não atende às necessidades da maioria da população, os trabalhadores se organizam através das ocupações, a exemplo de Pinheirinhos (SP), Glória (MG), Conjunto Cidade Jardim (CE) e da Vila Autódromo (RJ), vítima da construção da “Cidade Olímpica”, mais um projeto que beneficia apenas as classes dominantes. Este é o caminho da luta por moradia, que ao mesmo tempo aponta a possibilidade real de construção do Poder Popular.

O PODER POPULAR Nº 12

Publicado em: http://pcb.org.br/portal2/11451?utm_source=PCB

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